Se era pra ser assim,
devia ter me avisado, devia ter me contado que o azul
era na verdade lilás
e que as borboletas um dia voltarão a ser lagartas.
Não tem perdão esta invasão bárbara
nas terras já devastadas do meu pobre e cansado coração.
Já vi este filme.
Eu morro no final.
E quando os créditos estão descendo a ladeira da solidão da sala de projeção,
sempre há alguém que lê a trilha sonora,
finge gostar e avança sobre meu vulto
inquieto e carente
E vai-se a minha paz tumular
Renasço da cinzas mais uma vez
E sabendo que morrerei sempre de desengano
Abro as cortinas da janela
e recebo mais um bem-querer que vai me
maltratar, machucar e levar um pouco de mim
por aí.
Ele sempre está quando me perco...
Livro: O Idiota – Dostoievski
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