
A liberdade é como o vento: não tem dono...
Liberdade é como o próprio Deus: não é pública e nem privada, tampouco é espólio.
O conceito de liberdade é como a cor da água, que salta aos olhos, de vidro, mas não se vê.
A liberdade é como a gota da lágrima mais forçada: arde e salga, e vem sempre montada à proa do sofrimento.
A liberdade impõe o sacrifício dos limites mais duros, mas ainda que sejam muito dolorosas e pesadas as suas normas, não se morre pelos males dessa dor.
Liberdade é direito. Liberdade é dever.
Ser livre é conhecer os princípios do certo e do errado...
É experimentá-los... É sentir os atributos da virtude e do vício, do prazer e da maldade, do ruim e do bom...
É ser isento e poder distingui-los sabiamente.
Liberdade é gozo que chega com gritos; é paixão doida sem loucura mórbida, doentia. A liberdade compõe obras de cores inigualáveis, sem uma única gota de tinta, nem tela, e faz do homem uma criatura idêntica ao bicho: digno de viver à solta em seu meio, em paz, e capaz -- ao mesmo tempo -- de ser um ser um ser inocente, sendo potencialmente passivo de cometer erros, crimes, maldades, mas só se é realmente livre fazendo o bem.
Liberdade é uma partitura rara sem autoria.
É uma canção que se desprende da garganta da sereia, e que escapa sem esforço da voz da ninfa amada. Ser livre é conseguir enxergar o semelhante, sendo cego.
É avistar uma brasa fulgurante na máxima escuridão.
É ver luz no breu que espirra dos banzeiros da ilusão...
Liberdade deve ser como o sol: sempre aceso, mesmo que seja ciclicamente encoberto pela negra nuvem... Mas a liberdade é como uma música gostosa...
Como uma melodia que começa e emociona, mas acaba logo... A liberdade é como um orgasmo voraz e esmagador: tem fim, mas, pode-se senti-lo novamente, por amor.
PAULO QUEIROZ
